Tendências negativas versus progresso. Como agir para obter sucesso?

 Durante um encontro, o presidente Ikeda assim direcionou os participantes, falando sobre liderança: “Só existe uma forma de se tornar um bom líder, e esta é seguir um bom líder e estar em perfeito acordo com um bom líder.” (Brasil Seikyo, edição no 1.207, 16 de janeiro de 1993, pág. 3.)



Todos nós, membros da SGI, inspirados e orientados pelos mestres Nitiren, Makiguti, Toda e Ikeda, e seguindo-os em perfeito acordo, viemos travando intensas lutas em prol do Kossen-rufu, edificando uma vida de grande valor, pelo fato de a cultura básica de nossa prática budista ter sido pautada em vencer nossas próprias fraquezas.

Ainda dentro desse pensamento, nosso maior objetivo é, sem dúvida, vencer a si próprio para “criar valor”, ou seja, edificar uma vida útil a outro ser humano, tornando-nos uma referência ao próximo. Não por acaso, é justamente essa força poderosa, instigada pela imensa e profunda sabedoria do budismo, pela sabedoria do presidente Ikeda, que criou a grande corrente da SGI. Independentemente da cultura ou do país, o foco no ser humano demonstra quão amplo e dinâmico é o ensino budista praticado na Soka Gakkai.

No entanto, “criação de valores humanos” é difícil de teorizar e de se praticar. Este editorial visa, assim, trazer alguns aspectos práticos que ressoem em nosso dia-a-dia, para que possamos ser os promotores da revolução humana de nossos companheiros.

Ao observar mais atentamente vários pontos de nossa organização, há uma constatação de que muitas pessoas estão perdendo para as tendências pessoais negativas, as famosas maldades, e levando uma vida não muito adequada sob vários aspectos, inclusive o da fé. Ou seja, temos no conceito de causa e efeito uma regra básica, e o eixo dessa regra é “orar e agir”. Mas isso não pode ser um ato mecânico, implica em discernir sobre a vida.

Numa ocasião, o 1o vice-presidente da BSGI, Rubens Kamata, muito sabiamente orientou um grupo de líderes com as seguintes palavras, simples, porém práticas, resultado de profunda experiência pessoal: “Não basta só recitar Daimoku. É importante, durante esse ato, observar a si próprio, perceber quando a maldade está se manifestando e bloqueá-la corajosamente.” Oração é também ação.

Sem dúvida, quando falamos em revolução humana, criação de valores, não estamos falando daquela vida monótona, sempre com os mesmos afazeres, à mercê das tendências. Estamos falando de obter sucesso, e o sucesso tem procedimentos práticos básicos: 1) Observar a própria natureza, ou seja, observar como se é; 2) Orar constantemente para manter-se sempre com o estado de vida elevado e observar a própria natureza a partir desse estado de vida e 3) Descobrir qual é seu defeito (ou quais são) e ter a coragem de estancar o lado ruim de si próprio, ou seja, a maldade.

De fato, isso encontra sustentação na própria filosofia budista. Certa vez o presidente Ikeda assim resumiu essa atitude: “A fé significa conhecer a si próprio. Nitiren Daishonin escreve: “Kanjin (iluminação) significa observar a própria vida da pessoa e encontrar os Dez Mundos nela”. (Brasil Seikyo, edição no 1.266, de 26 de março de 1994, pág. 3)

Para ilustrar a inobservância dessa premissa, imaginem, por exemplo, uma pessoa que faz duas horas de Daimoku por dia, mas na primeira oportunidade que tem, não hesita em criticar o outro. Ou aquela que também recita bastante Daimoku, mas vive em conflitos com outros, impondo seus pontos de vista ou não aceitando o ponto de vista dos outros.

Na essência, são pessoas “viciadas” em orar, que não observam a própria mente e sucumbem sempre à maldade, acabando por perpetuar uma vida de constantes e pequenos avanços e pequenos retrocessos, zerando o avanço. Ou, pior, uma vida de maus exemplos e de constante sofrimento.

No romance Nova Revolução Humana, o presidente Ikeda escreveu: “A transformação gradativa ao longo dos anos, à medida que crescemos e amadurecemos, faz parte do processo natural da vida. Porém, a revolução humana ocorre quando ultrapassamos o ritmo normal de crescimento e embarcamos numa rápida mudança para melhor.”

Então, todo o treinamento para nos tornarmos líderes, toda a orientação filosófica e a interpretação do mestre, podem observar, estão carregadas desse desejo de que, o mais rápido possível, despertemos para essa realidade e deixemos de ser mortais comuns. Isso é sobretudo importante para os líderes. Essa clareza deve estar sempre presente na mente e postura dos líderes, pois é por onde as pessoas mais erram, e então pode-se orientá-las a tomar a melhor atitude para sobrepujar o carma negativo.

Muitos já passaram pela situação de ter um companheiro com sérios problemas, e não terem a coragem de alertá-lo sobre seus erros principais, culminando com um “vá fazer Daimoku”. Claro que orar é importantíssimo, mas se não o ensinarmos a enxergar sua própria mente e suas características, ele demorará muito a crescer. O papel de apontar e corrigir com benevolência é do veterano, do líder. E a falta de coragem de dizer o que precisa ser dito, na verdade, existe principalmente quando nós mesmos não estamos exercitando adequadamente esse caminho do rigor consigo mesmo.

Então, observar a própria natureza é lutar contra as maldades, que surgem naturalmente em decorrência do nosso carma. Ao vencê-las uma a uma, encontramos o caminho para salvar outras pessoas e cumprir nossa missão.Esse é nosso papel como líderes. E em nosso relacionamento na organização, o companheirismo não pode ser confundido apenas com palavras bonitas e tapinhas nas costas; precisamos efetivamente enxergar a maldade e impedir que ela avance. Para isso, precisamos vencer nossas próprias fraquezas, para que nossas palavras não soem falsas e sem prerrogativas.

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