Tsunessaburo Makiguti, o primeiro presidente da Soka Gakkai, foi abandonado pelos pais ainda criança, teve uma vida pobre, acabou preso e morreu de desnutrição num pequeno cárcere durante a guerra. Jossei Toda, o segundo presidente, também teve uma infância pobre e, como seu mestre, foi preso, seus negócios foram à falência, e veio a falecer relativamente jovem, antes de completar 60 anos, enfraquecido pelo tempo em que passou preso. Ambos eram praticantes do Budismo Nitiren.
O próprio Nitiren foi exilado, passou fome e frio, sofreu várias perseguições e quase foi decapitado. Mas, então, alguém poderia perguntar: que benefício traz essa filosofia?
De fato, o que pode ser considerado como o verdadeiro benefício da filosofia de Nitiren Daishonin?
Talvez estas perguntas mostrem um paradoxo e é bem verdade que um dos grandes incentivos aos novos membros é mostrar-lhes os benefícios advindos dessa prática, que muitas vezes são evidenciados na melhoria da saúde, na obtenção de um bom emprego, na construção de uma família harmoniosa e assim por diante.
Mas, da mesma forma que todos esses benefícios são alcançados, podem ser facilmente perdidos: um budista pode adoecer, perder o emprego ou desentender-se com seus familiares. E mais uma vez: onde se encontra o benefício?
Ele se encontra exatamente em meio a essa inconstância! Nitiren escreveu em uma de suas cartas: “Não há maior felicidade que ter fé no Sutra de Lótus. Este nos promete ‘paz e segurança nesta vida e boas circunstâncias na próxima’. Jamais permita que os impasses da vida o perturbem. Afinal, ninguém pode escapar dos problemas, nem mesmo santos ou sábios.” (As Escrituras de Nitiren Daishonin, vol. 3, pág. 199.)
Como todos sabem, a filosofia de Nitiren não prega milagres. Ao contrário, ela ensina a manter o esforço e a persistência nos piores momentos — a persistência de buscar uma cura, mesmo para uma doença incurável; a persistência de manter-se no caminho do diálogo em meio à desarmonia; a persistência de continuar procurando aquele emprego, mesmo quando todas as portas se fecham. Enfim, a persistência de simplesmente continuar vivendo, mesmo quando tudo parece mostrar o contrário.
Embora tenha falecido em circunstâncias tristes, Makiguti fundou uma organização que hoje dá alento a milhares de pessoas. Ele persistiu e isso tornou-se seu maior valor. Embora tenha falecido doente e fraco, Toda ampliou as bases dessa organização que hoje encontra-se praticamente em todo o mundo. Ele persistiu e essa vitória ninguém lhe poderá negar.
A verdadeira vitória, o verdadeiro benefício, não é apenas chegar ao porto de destino, mas persistir em chegar lá. E esse é um dom de incalculável valor, mesmo que às vezes difícil de se perceber.
E para que a prática budista?
Continuando o raciocínio acima: por outro lado, o presidente Ikeda sempre dá como exemplos de vida pessoas como Mahatma Gandhi, Martin Luther King Jr., e Beethoven, entre outras. E nenhuma dessas pessoas foi adepta da filosofia de Nitiren Daishonin. Assim, outra pergunta poderia surgir: mas para quê a prática budista se nesses exemplos não houve nenhum budista?
Gandhi foi assassinado, assim como King Jr., Beethoven morreu surdo e quase cego. Inegavelmente foram pessoas que enfrentaram inúmeras dificuldades mas que jamais deixaram de persistir e deixaram um legado espiritual de fundamental importância para a humanidade.
Mas não foram budistas...
Exceto para umas poucas e raras pessoas a quem a natureza gentilmente agraciou com o dom da persistência, persistir é de fato difícil. Para a esmagadora maioria da humanidade, a tendência imediata é desistir, ainda mais numa sociedade em que tudo aponta para o caminho mais fácil sempre que nos deparamos com o mais difícil.
E aí se percebe a importância da filosofia de Nitiren e da recitação do Daimoku.
Até mesmo devido às suas raízes históricas e à personalidade de seu fundador, o Budismo Nitiren naturalmente incute em seus seguidores o valor da persistência. Imaginem este exemplo simples: quando uma pessoa objetiva iniciar seus estudos, as atribulações do dia-a-dia muitas vezes contribuem para que ela se esqueça dessa meta e a relegue a um segundo plano.
Já para quem segue o Budismo Nitiren, se essa pessoa recita diariamente Daimoku e empreende ações nesse sentido, ela manterá sempre em foco suas metas e desafios e caminhará paulatinamente para a sua realização.
Assim, se uma pessoa coloca como desafio construir uma família harmoniosa, realiza diariamente Daimoku nesse sentido e empreende ações para esse fim, a cada dia estará mantendo com firmeza em sua mente e coração essa disposição e, cedo ou tarde, às vezes sem ao menos se dar conta, já o terá alcançado. Além de contar com a lei de causa e efeito a seu favor, essa pessoa se manterá sempre com disposição renovada para alcançar suas metas e desafios, uma vez que diariamente lembra-se delas enquanto recita Daimoku.
Ao encontrar uma pessoa com problemas, quaisquer que sejam, não há incentivo melhor a não ser orientá-la para que persista, para que não seja derrotada pelo problema, e para que aja fortalecendo-se na recitação de Daimoku.
O presidente Ikeda afirma: “Na luta pela vida, também aqueles que permanecem lutando até o fim são os verdadeiros vitoriosos. Aqueles que desistem e fogem em meio a algo, realmente ferem seu próprio coração e vida. Essas pessoas provavelmente não desfrutarão de um profundo senso de realização no fim, nem se tornarão realmente felizes. Isso é muito mais verdadeiro no budismo, que se preocupa com a vitória ou a derrota. Atingir o estado de Buda nesta existência reside na continuação de nossa prática budista e em conduzir as atividades da SGI até o fim. Aqueles que perseveram até o último momento terão os louros da vitória e da glória. Essas serão as pessoas que atingirão o estado de Buda.” (Brasil Seikyo, edição no 1.289, 17 de setembro de 1994, pág. 3.)
Não há segredos nem mistérios: a chave para uma vida realizada é a persistência contínua e inabalável — algo difícil para uma pessoa comum, mas que se torna um pouquinho menos difícil para quem segue uma filosofia correta.

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