Os Cinco Tipos de Visão

Pergunta: Por que pessoas que passam pelas mesmas situações têm reações tão diferentes entre si? Há algum princípio básico que elucida esta diferença de percepção entre as pessoas?



Resposta: No escrito “Resposta a Soya Nyudo”, consta a seguinte passagem: “Cada ideograma do Sutra de Lótus é, sem exceção, como um buda que atingiu a iluminação em nosso mundo real. Entretanto, são meros caracteres aos olhos dos mortais comuns. (...) os cegos não conseguem ver os caracteres do Sutra de Lótus, enquanto aos olhos dos mortais comuns não passam de meras letras. As pessoas nos dois veículos vêem-nos como ‘existência e não-existência’, os bodhisattvas enxergam nos caracteres inúmeros ensinamentos, e os budas consideram-nos como palavras douradas do Buda Sakyamuni. (...) Entretanto, as pessoas que praticam o Sutra de Lótus com concepções distorcidas estão rejeitando o mais sublime de todos os ensinos. Tenha cuidado para não ser influenciado pela dúvida e concentre-se na aspiração de atingir a iluminação. O Sutra dos Seis Paramitas afirma: ‘Torne-se mestre de sua mente e jamais permita que ela o domine’.”

Nitiren Daishonin afirma que cada palavra do Sutra de Lótus elucida a iluminação do Buda Sakyamuni como também esclarece que todas as pessoas são dotadas com a natureza de Buda. Ensina também que suas palavras representam a benevolência do Buda de conduzir todas as pessoas à felicidade. Entretanto, os mortais comuns vêem-nas apenas como meras letras.

O budismo ensina que existem cinco tipos de visão (ou cinco tipos de faculdade perceptiva): 1) visão de mortal comum, também chamada “visão física”, capaz de distinguir a cor e a forma; 2) visão celestial ou divina, capaz de perceber as coisas na escuridão, a grande distância ou além dos limites físicos da obstrução; 3) visão da sabedoria, ou capacidade própria das pessoas dos dois veículos de perceber que todas as coisas existem numa relação de dependência e que todos os fenômenos carecem de substância; 4) visão da Lei (do Darma), com a qual os bodhisattvas percebem a natureza de todos os ensinos para salvar as pessoas; e 5) visão do Buda, que percebe a verdadeira natureza da vida pelo passado, presente e futuro. A visão do Buda inclui todos os quatro tipos de visão. Em outras palavras, o Buda possui os cinco tipos de visão.

O olho do Buda é o olho que tem a mais ampla perspectiva, mesmo se estiver voltado àqueles objetos ou fenômenos que vimos com nosso olho físico. O olho da Lei não é o olho do conhecimento ou da sabedoria, mas subjacente à essa sabedoria está o espírito benevolente dedicado exclusivamente à salvação das outras pessoas.


Obviamente, ter conhecimento é importante, mas é muito provável que uma perspectiva baseada apenas no saber seja limitada e estereotipada. Em contraste, o olho da sabedoria é flexível e sem preconceito. Sem ser influenciado pelas limitações do conhecimento e da informação, pode-se perceber claramente o bem e o mal, e o certo e o errado, em todos os fenômenos. Essa visão é completamente livre da tendência geral do homem, que freqüentemente lhe permite ver como feio o que é belo e como insignificante o que é importante.

A maneira como as pessoas encaram os fatos, além de ser uma conseqüência imediata do estado de vida, revela também sua tendência básica que provém de causas acumuladas desde o passado. Aqui está a importância da prática budista para transformar nosso carma e elevar o estado de vida a fim de enxergarmos os inúmeros ensinamentos do Sutra de Lótus como palavras douradas do Buda Sakyamuni.

A frase “Torne-se mestre de sua mente” significa conduzir a vida com base nas regras e concepções corretas, mantendo perfeito controle sobre os sentimentos. E a frase “jamais permita que ela o domine” significa não ser levado pelo sentimentalismo.

Uma vida dedicada ao cumprimento do Kossen-rufu e à felicidade de outras pessoas é o supremo caminho para conquistar a verdadeira liberdade. Na época atual, é pelo sincero empenho às atividades da SGI que podemos aprimorar os cinco tipos de visão, possibilitando-nos distinguir a verdade da falsidade além de compreender a essência dos acontecimentos ao nosso redor como sendo fenômenos e manifestações da Lei.

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