O potencial para vencer as dificuldades encontra-se em cada pessoa

O que leva uma pessoa à depressão? As causas são múltiplas. Estudos genéticos apontam uma predisposição hereditária para desenvolver a doença. Outros estudos identificam seu surgimento devido a alterações das substâncias químicas cerebrais, além de fatores orgânicos, biológicos, culturais e econômicos. Portanto, depressão não é preguiça, falha de caráter ou falta de vontade. É uma doença como qualquer outra que precisa ser tratada de forma adequada. Foi justamente esse o problema que Gilmar Vieira da Silva encontrou no curso de sua juventude...



Gilmar conheceu o Budismo de Nitiren Daishonin aos 17 anos, há 7 anos. Desde então, apesar de não conhecer bem a filosofia, resolveu praticá-la determinado a transformar tudo em sua vida desde cedo, pois vivia em constante desarmonia em seu lar, muitas vezes causadas por ele próprio, por ser uma pessoa muito nervosa.

Após iniciar a prática budista, em vez de desenvolver a humildade e elevar o estado de vida para mudar suas circunstâncias, Gilmar conta que se tornou um pouco arrogante, pois se considerava o mais certo dentro de casa e causava ainda mais desarmonia, achando-se nesse direito por ser quem mais se dedicava à prática.

Sua história mesmo se resume ao ano 2000, denominado “Ano dos Jovens, Descortinar do Século XXI”. Nesse ano Gilmar enfrentou o que ele considera a pior das dificuldades: vencer a maldade de dentro de si mesmo e que é inerente a todas as pessoas.

Em março desse ano ele começou a sentir um incômodo no estômago e isso o fez procurar um médico. Ele teve a sorte necessária para encontrar um bom médico que lhe pediu alguns exames, os quais constataram diabetes e ácido úrico elevado. Além disso, havia algo estranho: toda vez que ele ia ao médico sua pressão mostrava-se elevada, o que deixava as enfermeiras muito preocupadas, pois diziam que ele era muito novo para ter pressão alta, e isso também lhe assustava.

Nesse período, Gilmar resolveu iniciar um tratamento odontológico que havia ganho. Foi quando tudo começou: ao fazer o tratamento de um canal ele passou muito mal. Informou ao dentista que talvez fosse a pressão. O dentista solicitou então que sua assistente o examinasse. Sua pressão arterial estava 18 por 10, o que fez com que o médico o encaminhasse urgentemente à emergência. Isso deixou Gilmar assustado e chorando muito, achando que fosse morrer de infarto.

Ele ficou sabendo então que estava com pneumonia, gastrite, diabetes e que era hipertenso. Após isso, uma profunda depressão tomou conta de sua vida e seus problemas de saúde se agravaram. Ele passou a viver angustiado e com um sentimento negativo muito forte. “Com a prática, percebi que o que enfrentava era reflexo de minha arrogância, pois achava que tudo acontecia com todos, menos comigo. E naquele momento senti o quanto precisava das pessoas, principalmente dos meus familiares que eu tanto maltratava. Por isso, decidi que comprovaria em minha vida a verdadeira alegria de recitar Daimoku e ser discípulo do presidente Ikeda, pois estava causando muita preocupação a meus familiares. O Gilmar antes bastante determinado não encontrava mais forças nem tampouco colocava em prática o que dizia às pessoas quando elas enfrentavam dificuldades. Assim, decidi realizar muito Daimoku para vencer minha maldade interior, pois ficava péssimo, sentia fortes dores no peito, minhas mãos ficavam paralisadas e sem circulação, passava o tempo inteiro vomitando. Fiquei muito tempo sem conseguir dormir com medo de não acordar, meu corpo tremia como seu eu tivesse uma convulsão, passava dia e noite pensando que morreria. Com tudo isso senti uma vontade enorme de estar ao lado de meus pais e irmãos, imaginando que talvez fosse a última vez que os veria. Foi então que, certo dia, recitando Daimoku, levantei-me chorando e fui abraçar minha mãe, meu pai e meus irmãos, pedindo perdão por tudo o que havia feito e disse que a partir daquele dia seria uma pessoa diferente e faria realmente minha revolução humana”, relata Gilmar.

Não foi fácil vencer tudo isso. Em muitos momentos parecia que ele recuava um passo para avançar três, pois a depressão levava a se distanciar cada vez mais das pessoas, tanto que seus amigos começaram a criticá-lo dizendo que estava muito chato e que não conversava como antes e seus irmãos diziam que ele se aproveitava da situação para gerar problemas. Houve semanas em que Gilmar foi ao pronto-socorro diversas vezes, mas a prática budista o fez vencer a si próprio. “Tinha de vencer minha mente, pois só pensava em coisas negativas. Quanto mais orava pela minha saúde, mais ela se complicava. Numa época fiquei até com problemas de coluna, não conseguia me sentar, tive febre muito alta por vários dias e comecei a sentir uma forte dor na bexiga quando urinava. Voltei ao médico e, após realizar exames, descobri que estava com infecção urinária. Por incrível que pareça tudo era causado pela minha mente. Cheguei a imaginar que estava louco. Decidi então procurar um psicólogo, mas tive medo. Foi quando, na escola, uma professora, sem saber de nada, procurou-me para realizar uma série de testes com uma psicóloga e escolheu-me por ter o perfil da pessoa que ela precisava. Acredito ter sido a ação dos deuses budistas (as forças naturais protetoras) e aceitei os testes, obtendo 100% de aproveitamento em todos eles. A psicóloga disse que eu era uma pessoa muito inteligente e especial. Fiquei superfeliz e mais tranqüilo por isso, acreditando ainda mais na força do Daimoku e que seria capaz de vencer minha mente”, lembra Gilmar.

No mês de outubro de 2000, com a aproximação da Convenção dos Cem Mil, ele determinou transformar de vez sua situação e ser realmente feliz. A vitória nessa convenção foi a vitória de sua própria vida! Mas em meio ao empenho para o sucesso dela, outra grande provação: ao sair da escola um certo dia, Gilmar encontrou-se diante de um tiroteio no caminho de volta para casa. A pessoa-alvo correu para seu lado no momento que ele corria. Assim, todos os tiros foram voltados para sua direção. “Acredito que a pessoa tentava se esconder atrás de mim por eu ser mais alto que ela. Naquele momento comprovei a proteção dos deuses budistas, pois não me aconteceu nada”, lembra Gilmar. Mas com a força da prática ele conseguiu superar também esse difícil momento que quase o levou a novas depressões e se levantou com o desejo de ser verdadeiramente feliz. Com isso, conseguiu energias para reiniciar os estudos, pois era algo de que não gostava por ter tido problemas com os outros alunos.

“Com a prática, mudei minhas atitudes tendo como base a Declaração da Divisão dos Jovens da BSGI: ‘Se a posteridade há de julgar meu mestre, por minha qualidade serás julgado o supremo líder do mundo.’ Assim, tenho me esforçado para ser uma pessoa digna e para transmitir alegria a todos ao meu redor. Aprendi a valorizar mais as pessoas e o quanto devo realizar minha revolução humana. Sei que tenho muito o que transformar, mas com a prática sei que vou vencer.”

Com essa história, comprova-se o real significado da prática budista: fazer o ser humano despertar para seu potencial de transformar todos os infortúnios, vencendo principalmente o maior mal, aquele que se encontra dentro de si mesmo.

Por Gilmar Vieira da Silva em 01/02/2003

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