A questão conceitual, em qualquer processo, é fundamental para que tomemos o rumo correto nos empreendimentos. Ao errar a conceituação, erramos o rumo. Se a conceituação é obscura, ficamos tateando no meio do caminho. Na prática da fé isso não é diferente e é por isso que o estudo torna-se um dos três pés de sustentação mais importantes da filosofia budista.
Por exemplo, ao conduzir a organização, não podemos agir segundo nossos próprios conceitos, princípios e discernimentos. É fundamental nos basearmos na filosofia do Budismo de Nitiren Daishonin, absorver o espírito da prática na SGI e exercitar a si próprio antes, para desenvolver prerrogativas para falar e dirigir corretamente. Via de regra, essa deve ser a “rotina” de um líder.
Ao líder, é importante lembrar que o ponto central de nossas preocupações deve ser sempre “como conduzir as pessoas à prática correta”. Nesse aspecto, entender o “princípio místico da verdadeira causa” torna-se fundamental. Por quê? Tudo é causa, inclusive nossa atitude diária na organização. Portanto, liderar responsável e adequadamente é fundamental para esculpirmos nossa própria vitória e felicidade. Por essa lógica, liderar mal ou erroneamente produz causas na mesma proporção em nossa própria vida.
Vamos a um exemplo: suponhamos que chegamos ao fim de um dia e pegamos a programação de atividades e “descobrimos” que hoje vamos falar na reunião já programada há um mês. São aproximadamente 17h30, temos mais trinta minutos de trabalho e então partiremos para a reunião. Nessas circunstâncias, é muito comum nos pegarmos pensando no ônibus, no metrô ou no carro sobre o que falaremos naquela reunião que acontecerá dali a trinta ou quarenta minutos. Ou seja, nos preocupamos com aquelas pessoas e atividade apenas uma hora antes, não temos material de consulta acessível nessas circunstâncias e então estamos quase que obrigados a falar buscando ressonância na nossa própria cabeça.
Como resultado dessa “consulta rápida à memória”, corremos sérios riscos de não só falar inapropriadamente, mas sem qualquer embasamento, apenas para cumprir uma programação, pois estamos nela. Nessas situações, é também muito comum a pessoa tornar-se repetitiva, falando os mesmos assuntos de outras reuniões, a título de “relembrar algo importante”. Do ponto de vista da causa e efeito, pela lógica, se somos responsáveis pelas pessoas e não as conduzimos adequadamente, os resultados lentos na vida de cada um tornam-se causas negativas para a nossa, como líderes.
Ainda ressonando no exemplo anterior, suponhamos que nós fôssemos algo parecidos com “viciados em atividades”, do tipo que leva e traz automaticamente o corpo às reuniões, senta-se na cadeira (às vezes até com um canto preferido na sala), faz a oração, ouve as orientações, levanta-se e vai embora, e repete essa rotina meses e anos a fio, sem mudar as atitudes negativas. Com certeza, essa “falta de causa”, embora praticante do budismo e orando todos os dias, permitirá apenas pequenos avanços, muitos deles imperceptíveis para a própria pessoa; nesse caso, resultados maiores poderiam levar anos para serem notados.
Um outro exemplo também diz respeito às atividades mal planejadas, que também se encaixam no tipo “cumprir tabela”. Essas atividades, por sua vez, costumam de fato produzir poucos resultados na vida das pessoas, e no decorrer do tempo, infalivelmente produz a dúvida: “Está valendo à pena despender tanto esforço, tempo e recursos?” Essa dúvida, que está no interior de cada um, muitas vezes não é manifestada. E vai criando indivíduos taciturnos, pensativos, cabisbaixos que, ao final, manifestam aspectos e atitudes que depõe contra a filosofia budista, o mestre e o valor da organização. Muitos acabam se afastando. Claro que isso não é de forma nenhuma generalizável, até porque grande parte da organização está em franco desenvolvimento, avançando de vento em popa.
No fundo, isso tudo pode ocorrer quando não estamos oferecendo filosofia e sim apenas convívio e teoria mal fundamentada. Não porque somos incapazes e não temos “estudo do budismo”, mas porque, apesar de termos muita experiência e conhecimento, ainda assim o Kossen-rufu pode estar ocupando posição secundária em nossa vida como líderes.
Analisando esses exemplos pela ótica do “princípio da verdadeira causa”, será que, devido à rotina não percebida, não estaríamos invertendo os valores? Os resultados na vida de um verdadeiro praticante do Budismo de Nitiren Daishonin na SGI devem ser avaliados sempre por esse prisma. Não há efeito sem causa. O objetivo da nossa prática da fé é nos capacitar a desenvolver o Kossen-rufu, ou seja, cumprir nossa missão de vida. Lutar em prol da paz mundial é lutar em prol das pessoas, e isso não é fazer favor para a organização ou para alguém, mas a causa da própria felicidade. Em outras palavras, é vencer a nós mesmos, experimentar com a vitória, dominar a impermanência das coisas e tornar-se um farol para os outros. É isso que, fundamentalmente, é importante relembrar sempre e também ensinar aos outros com o máximo de nossas habilidades. Ao reestudarmos o princípio místico da verdadeira causa, podemos refletir profundamente sobre essa questão.
Como um exemplo muito prático, durante a primeira viagem do presidente Ikeda ao Brasil, em 1960, um membro agricultor fracassado perguntou-lhe sobre o melhor caminho para ser vitorioso. E ele respondeu:
“Para não repetir o mesmo fracasso, o senhor deve pesquisar e verificar minuciosamente as causas do insucesso na colheita. É importante também consultar e ouvir as pessoas que tiveram uma boa safra para aplicar as experiências dessas pessoas em seu trabalho. Além disso, procure estabelecer todos os planos para não cometer outro fracasso. Uma pessoa que está realmente decidida a vencer não dispensa a constante pesquisa e aplicação na criação de todos os recursos necessários. Se houver negligência nessa conduta, não poderá obter sucesso algum. É um grande erro imaginar que terá uma abundante colheita em sua horta apenas porque está se empenhando na prática da fé. O budismo é a suprema razão. Portanto, a fervorosa prática da fé deve ser evidenciada por meio de um esforço redobrado na pesquisa, no planejamento e na criatividade. A recitação do Daimoku com toda a seriedade é a fonte básica onde brotará a energia para esse desafio. Além disso, seu Daimoku deve ser como um juramento.” (Nova Revolução Humana, vol. 1, pág.194.)
Essa orientação do presidente Ikeda deixa muito claro que a postura de um líder ao orientar não pode ser de forma alienada, que despreza as questões naturais da existência e da sociedade. Em resumo, a causa para vencer sempre está na seriedade da atitude, no ato de preocupar-se com responsabilidade sobre nossa atitude e suas conseqüências. A prática da fé, em seu melhor nível, parte sempre dessa responsabilidade.
Se você aprecia os conteúdos do blog e acredita na importância de difundir os ensinamentos do Budismo de Nichiren Daishonin para a construção de um mundo mais pacífico e compassivo, convido você a contribuir com qualquer valor para a manutenção do site e a ampla propagação do Kosen-rufu. Sua doação ajudará a manter este espaço ativo, acessível e cada vez mais inspirador para todos que buscam crescer espiritualmente. As contribuições podem ser feitas pelo e-mail 5779930@vakinha.com.br
Cada gesto de apoio é uma semente de esperança e um passo concreto em direção à paz duradoura. 🙏

Comentários
Postar um comentário