Como já é do conhecimento de muitos, o presidente Ikeda esclareceu os objetivos concretos da prática do budismo ditando cinco diretrizes, as quais são: 1- Prática da fé para criar a harmonia familiar; 2- Prática da fé para conquistar a felicidade; 3- Prática da fé para vencer as dificuldades; 4- Prática da fé para manter a boa saúde e obter longevidade; e 5- Prática da fé para alcançar a vitória infalível.
Essas diretrizes definem o direcionamento da prática da fé dos membros da SGI nas circunstâncias da vida diária a fim de que possam viver com esperança e otimismo sem serem arrastados pelos problemas e dificuldades que surgem no cotidiano de cada um.
Em um discurso sobre essas cinco diretrizes, o presidente Ikeda cita uma frase dos escritos de Nitiren Daishonin que exalta a abrangência dos benefícios provenientes da prática do budismo: “O grande bem proveniente do ato do respeitável Mokuren acreditar no Sutra de Lótus não apenas o fará um buda, mas também conduzirá seus pais à iluminação. Além disso, esse grande bem abrangerá as sete gerações anteriores e as sete gerações posteriores, atingindo também os pais de todas as existências anteriores e posteriores, encaminhando todos à iluminação, além disso, seus filhos, cônjuges, dependentes, lordes e inumeráveis pessoas não apenas poderão se afastar dos três maus caminhos, mas atingirão o estado de Buda com a percepção da Lei Mística.” (Gosho Zenshu, pág. 1430.)
Com base nesse poder benéfico da prática da Lei Mística, o presidente Ikeda recomenda aos membros que praticam o budismo sozinhos em suas casas a não ficarem demasiadamente preocupados com isso nem se precipitarem em converter seus familiares a qualquer custo, e com isso gerar conflitos familiares. Essa recomendação conforta naturalmente o coração muitas vezes aflito de alguns membros. Contudo, o presidente Ikeda acrescenta a importância de manter o espírito de levantar-se só para tornarem-se capazes de conduzir todas as pessoas de seu convívio em direção à esperança e à felicidade, independentemente de serem ou não praticantes do budismo.
Conforme essa recomendação, não se deve criar qualquer desentendimento familiar por questões de religião. Essa situação provoca o sentimento de aversão ao budismo no coração dos familiares. O verdadeiro budista deve esforçar-se mais do que os demais familiares para criar uma família harmoniosa e feliz, independentemente se elas concordam ou não com a prática budista.
Disposição básica de vida
A nossa disposição básica, ou o pensamento que mantemos em relação à realidade da vida diária, é conhecido no budismo como itinen ou determinação, que pode ser tanto negativa como positiva. Como o Budismo de Nitiren Daishonin é uma doutrina que se baseia no princípio de que a nossa determinação direciona o mundo em que vivemos, devemos fortalecer a determinação de forma positiva para criar circunstâncias favoráveis em nossa vida diária.
Nitiren afirma: “Aqueles que crêem no Sutra de Lótus são como o inverno; o inverno nunca falha em se tornar primavera. Desde os tempos antigos, nunca ouvi ou vi o inverno tornar-se outono. Nem tenho sequer ouvido que algum crente do Sutra de Lótus tenha se tornado um mero mortal comum.” (As Escrituras de Nitiren Daishonin [END], vol. I, pág. 336.)
Daishonin compara nessa frase as dificuldades da vida dos praticantes budistas ao rigor do inverno. E ele afirma que, da mesma forma como o inverno se transforma em primavera, as dificuldades transformam-se infalivelmente em felicidade.
A devoção na prática da fé visa justamente fortalecer ao máximo nossa mente ou determinação. Além disso, um ponto sumamente importante para assegurar a conquista da felicidade é a atitude de não ser influenciado pelas maldades. Essa influência destrói a boa fé e a boa sorte. Por isso, Nitiren afirma que o benefício origina-se do ato de combater as maldades. Portanto, não é possível conquistar verdadeiramente a felicidade sem promover um combate efetivo para anular as ações das maldades.
Segundo o budismo, obstáculos são influências externas e maldades são sentimentos negativos. Ambos são ações que provocam o enfraquecimento da fé no budismo e afastam as pessoas do caminho para a felicidade. Assim, as questões da vida diária que não influenciam negativamente a fé não são obstáculos nem maldades. Portanto, é importante evitar a tendência de se considerar todas as ocorrências ruins como obstáculos, maldades ou produtos do carma. Essa tendência pode fazer parte da determinação e acabar influenciando negativamente e sem necessidade as circunstâncias da vida diária. Devemos saber que, segundo o budismo, o efeito do carma é uma situação que causa extrema dificuldade na vida diária.
Vencendo as dificuldades
Nitiren Daishonin esclarece: “Se propagar este ensino, maldades surgirão infalivelmente. Se elas não surgissem, não haveria modo de se saber que este é o ensino correto.” (END, vol. I, pág. 239.) Quando abraçamos o budismo, iniciamos uma vida dedicada a promover o bem e a felicidade. Surgem também ao mesmo tempo reações contrárias para nos afastar desse caminho. Essas reações contrárias surgem justamente para provar que estamos seguindo uma verdadeira religião. O budismo ensina que é vencendo essas dificuldades que se pode estabelecer uma indestrutível condição de felicidade. Por isso, Daishonin afirma ainda: “Com o aparecimento dos três obstáculos e das quatro maldades, o sábio alegrar-se-á e o tolo se acovardará.” (END, vol. I, pág. 250.) Ele ensina também que “quanto maiores forem os sofrimentos, maior será a alegria do devoto do Sutra de Lótus devido à sua fervorosa fé”. (Gosho Zenshu, pág. 1.448.)
Essas frases exaltam como deve ser a disposição e o espírito dos praticantes do verdadeiro budismo. Além disso, Daishonin destaca também a seguinte atitude: “Aqueles com o coração de leão certamente atingirão o estado de Buda tal como Nitiren.” (END, vol. I, pág. 196.) Nisso reside a importância, de todos levantarem-se e atuarem com o espírito de leão tanto na vida diária como nas atividades em prol do Kossen-rufu, superando e vencendo quaisquer formas de dificuldades.
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